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Articulação Soja-Brasil reforça movimento no Fórum Mundial 2005
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A busca de meios capazes de paralisar em curto prazo o processo de devastação do Cerrado e da Amazônia devido ao plantio de soja em grandes áreas e sem controle, com os conseqüentes impactos negativos ambientais, sociais e econômicos, é a principal meta de curto prazo da Articulação Soja-Brasil definida em oficina realizada nesta quinta-feira, 27 de janeiro, na programação oficial do 5º Fórum Social Mundial. Para amenizar o problema do desmatamento que afeta a biodiversidade e promove a exclusão de pequenos agricultores e a população indígena do Xingú, a Articulação Soja -Brasil decidiu na oficina disseminar suas propostas, a fim de que a própria sociedade exerça pressão e controle sobre esse ramo do agronegócio. O avanço da fronteira agrícola da soja no país e em toda a América Latina foi abordada por representantes de organizações que, em 2004, elaboraram um documento com proposições hoje apresentadas e discutidas no Fórum Social Mundial/2005, em Porto Alegre. A exposição dos temas e os debates com os 300 participantes da oficina foram mediados por membros das Articulações Soja -Brasil e Holanda. O histórico do movimento iniciado em 1994, através da Coalizão Rios Vivos, foi apresentado pelo coordenação da articulação brasileira, Maurício Galinkin. A Articulação foi criada em 2003 pelo Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente (FBOMS), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Sul do país (Fetraf-Sul), Rede Cerrado, Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Instituto Socioambiental (ISA) e Fundação CEBRAC (Centro Brasileiro de Referência e Apoio à Cultura), com a adesão de diversos grupos. O Fórum Articulação Soja desenvolveu no último ano critérios que visam reduzir os impactos negativos do plantio de soja em larga escala e mesmo em áreas ilegalmente desmatadas. O prioritário é que os grandes compradores/ consumidores de soja, a partir da safra 2004/2005, só adquiram produção originada de áreas legalmente desmatadas antes de 31 de dezembro de 2003. No bioma Amazônia, só deve ser adquirida produção de soja originada de áreas legalmente desmatadas até outubro de 1999. Para a agricultura familiar/pequeno produtor, será aberta uma exceção a esses critérios para plantios originados de desmatamentos em propriedades de até quatro módulos fiscais (no Brasil) e limitados a 25% de sua área útil agricultável. Deve ser reduzida a pressão para que os pequenos agricultores vendam suas terras e criado um mercado preferencial para seu produto. “O enfrentamento é global”, ressaltou o coordenador dos trabalhos, recomendando a ampliação dos contatos entre os integrantes do movimento no Brasil e com outros países, e maior divulgação das iniciativas. Maurício Galinkin disse que a idéia da Articulação Soja-Brasil é realizar um congresso no final deste ano para eleger as organizações que representarão o conjunto de ONGs e movimentos sociais no processo de negociação com as grandes empresas importadoras, para o cumprimento dos critérios propostos. “Temos de priorizar o diálogo com o setor privado porque ele tem a possibilidade de escolher”, destacou Wim Goris, representente da ONG Cordaid, da Holanda. Ele e Jan Gilhuis, da ONG Solidaridad, que fazem parte da coordenação da Articulação Soja -Holanda, juntamenteo com Both Ends, relataram a situação naquele país – um dos maiores compradores de soja no Brasil, como lembrou Goris. O representante da Cordaid afirmou que as organizações da Articulação Soja-Holanda estão conscientes do problema e têm por objetivo serem parceiras do Brasil na luta pela diminuição dos impactos sociais e ambientais do plantio de soja em larga escala. A oficina teve exposição de Judson Barros, da ONG Funáguas, sobre o tema A Devastação do Cerrado do Piauí. Edmilson Pinheiro, do Fórum Carajás, focalizou Soja: desenvolvimento na agricultura maranhense? Adriana Ramos, do Insituto Socioambiental (ISA), falou sobre A Ameaça às Terras Indígenas: o caso Xingú. Adilson Vieira, do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), abordou a Soja na Amazônia. Alcides Faria (ECOA) falou sobre O Projeto IIRSA (Iniciativa de Integração Regional da América do Sul) e o avanço da soja na Região Amazônica. Sérgio Schlesinger, da FASE, destacou A importância da diversidade de cultivos e da soja na Agricultura Familiar. Eduardo Gudynas, do Centro Latino-Americano de Ecologia Social (CLAES), falou do tema A Soja e a Pecuária no Cone Sul. Maurício Galinkin (Articulação Soja-Brasil/CEBRAC) expôs o Histórico e Critérios no Brasil. Jan Gilhuis, da Solidaridad, e Wim Goris (Cordaid) falaram sobre A Mobilização Social e de Consumidores na Holanda. |
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